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Inácio de Nonno enfrenta obsessão de escultor em Artemis
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Inácio de Nonno tem carreira sólida como cantor de ópera.  Doutor em música pela Unicamp, especialista na obra vocal de César Guerra-Peixe e professor da Escola de Música da UFRJ, possui mais de 30 primeiras audições mundiais de peças e óperas compostas especialmente para ele.  Atuou em óperas que vão dos barrocos C. Monteverdi e G. Telemann aos contemporâneos Cirlei de Hollanda e Dawid Korenchendler, passando por W. A. Mozart, G. Rossini, G. Verdi, G. Donizetti, R. Leoncavallo, G. Puccini, R. Wagner, R. Strauss e C. Gomes. Em 2013, participou da montagem de O Menino e a Liberdade, no Theatro São Pedro.

Em Artemis, ópera que estreia este mês, Inácio volta ao palco do São Pedro para interpretar Hélio, escultor que, obcecado pela criação da gloriosa deusa Artemis, abandona sua família à fome e ao frio. Sua obsessão vai se tornando cada vez mais intensa à medida em que seus demônios internos o perturbam, até culminar de maneira trágica.

Na entrevista a seguir, o cantor lírico fala sobre os desafios de encarar o personagem, de trabalhar pela primeira vez com o diretor de teatro Roberto Alvim e de encenar a ópera Artemis, que não é encenada desde 1910. Confira!

– Você já participou de várias óperas cantadas em português. Como avalia essa característica em sua trajetória?

Fiz muitas óperas cantadas em português como O Menino e a Liberdade, de Ronaldo Miranda; Sábado de Aleluia, de Cirlei de Hollanda; Tiradentes, de Manoel de Macedo; A Menina das Nuvens, do Villa-Lobos; e O Perigo da Arte, de Tim Rescala. O próprio Nepomuceno, autor de Artemis, dizia que “um povo que não canta em sua própria língua, não tem pátria” e valorizar esse repertório lírico cantado em nossa língua é da maior importância. Além disso, o entendimento do público é direto, a ópera apresenta uma estética diferente e tem tudo para criar uma empatia imediata.

A ópera Artemis é dirigida por Roberto Alvim, consagrado por sua atuação em teatro. Como tem sido essa experiência com ele?

É enorme a diferença em ser dirigido por um encenador de ópera ou por um diretor de teatro: as marcas são muito bem definidas e o Roberto é superdetalhista. Ficamos mais à mercê da estética e do conceito concebido por ele. A atitude cênica é menos carregada – ele nos mostra que os sentimentos estão expressos no que nós cantamos, por isso as cenas de Artemis são bastante estáticas e com gestuais bem marcados e menos exagerados – isso cria um ambiente cênico muito diferente do que as pessoas que estão acostumadas com opera vão ver.

– Qual o maior desafio em encarar seu personagem? Você se identifica com ele de alguma forma?

Eu tenho 35 anos de estrada, mas nunca tinha feito um personagem tão cruel e obsessivo.  Fizemos um estudo corporal para trazer em cena esse homem esquizofrênico e trabalhamos com técnicas a fim de me aproximar de um personagem perturbado como Hélio.  Um trabalho árduo para encarar esse personagem da melhor forma possível e buscar suas características estabelece, de certa forma, um paralelo com a perfeição que Hélio persegue, mas em menor grau, claro.

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