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Cultura e
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Ba-ta-clan: Entrevista com Rogério Tarifa

A montagem da opereta de Jacques Offenbach estreia no início de outubro no #NossoTheatro, com a presença da Academia de Ópera do Theatro São Pedro e Orquestra Jovem do Theatro São Pedro. ⠀

Rogério Tarifa, que assina a direção cênica e a dramaturgia, destaca que a ideia é criar uma obra permeável, em constante diálogo com o tempo histórico atual e com a plateia.⠀

“Penso na criação de um ato-espetáculo musical. Esse conceito cria uma encenação cujo principal objetivo é construir um campo poético de atuação que ultrapasse o espaço cênico e que envolva os espectadores. Quem assiste é convidado a refletir junto aos intérpretes”, destaca o diretor. ⠀

Rogério lembra ainda uma das características mais emblemáticas do fazer teatral, a de que o espetáculo só existirá e será completo, se o público tomar parte na trama. Vale lembrar que Ba-ta-clan é uma opereta que tem como características principais a comicidade, a sátira e a crítica à sociedade parisiense da época. ⠀

“Offenbach buscava construir obras que fossem populares e que pudessem romper com a forma, o conteúdo e a estética das óperas tradicionais. Além disso, o Ba-ta-clan é um canto de revolta, um canto de revolta popular. Esse canto, que é representado pelo coro, na nossa versão, terá ares de protagonista”, afirma Tarifa. ⠀

Ba-ta-clan se passa num país imaginário no oriente, uma China distante, onde com o desenvolvimento do enredo todos se descobrem sendo franceses. O diretor cênico conta que a adaptação para o Theatro São Pedro foi dividida em 3 quadros históricos: a China Imperial, a França de Napoleão III e, por último, nosso próprio país. ⠀

“Nessa parte montaremos uma paisagem histórica que traga a sátira, a comicidade, o diálogo e uma crítica ao conturbado momento político que estamos atravessando. Ao final da Opereta todos se descobrem sendo brasileiros”.⠀

Ficou curioso? As apresentações serão nos dias 8, 9 e 10 de outubro e os ingressos estão à venda na nossa bilheteria digital (link na nossa bio).⠀

Rogério ainda destaca que o teatro, em sua origem, é público. “É preciso afirmar a origem pública do teatro, numa relação dentro da arte e do espetáculo que seja uma busca por uma horizontalidade maior entre a obra e o espectador. E para que isso aconteça é preciso entender a função, a importância e a potência do coro dentro das montagens”, afirma o diretor.


Duas perguntas para Rogério Tarifa

Pode me contar um pouco sobre os elementos da montagem e como eles dialogam com a história?

Bataclan foi escrita em 1855 e Offenbach teve como um dos eixos centrais de inspiração, fazer uma crítica a Napoleão III, que após ser eleito pelo voto, deu um golpe de Estado na França, acabou com a república e instaurou novamente o império. Como dizemos na abertura, qualquer semelhança com o nosso país é uma mera coincidência.


Napoleão III, valendo-se do desejo em restabelecer o que imagina ter sido “gloriosos tempos idos”. Restabelece toda a pompa e o luxo imperial, com uma aristocracia organizando grandes festas ao lado de um povo que vive fome e miséria e uma administração que se revela absolutamente incompetente. Mas se o povo pode ser durante um período “enganado”, não há como fazê-lo por muito tempo: a história é implacável, o povo não é bobo e o Teatro sabe, há muito tempo, que “o riso castiga, corrige, os costumes”.

Onde você buscou inspiração para a montagem?


Acho que a inspiração é uma prática que se exercita cotidianamente. Acredito que o primeiro passo a se fazer num trabalho é abrir um campo poético de criação. Campo poético que abarca durante o processo de ensaio todo o espaço cênico, a equipe de artistas criadores e também a plateia no momento da apresentação.


A partir dessa conexão e acreditando profundamente na ética, no respeito e na liberdade criativa de cada integrante da equipe e que cada pessoa do público também é uma parte criadora daquela obra, com o desenvolvimento dos ensaios e das apresentações, centenas de inspirações se aproximam, se afastam e se materializam na busca para que a peça seja a concretização da utopia no tempo presente da cena.

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