Nicolàs Boni, cenógrafo de As Bodas de Fígaro, comenta o processo criativo de sua terceira montagem para o São Pedro

Graduado em Belas Artes e doutorando em História da Arte, Nicolàs Boni é membro do Centro de Pesquisa em Arte Argentina e Latino-Americana, sediado na Universidade Nacional de Rosário. Completou sua formação no Instituto Superior de Artes do Teatro Colón e no Teatro Municipal General San Martín, de Buenos Aires. Trabalha como cenógrafo em diversos teatros da América Latina e dos Estados Unidos.

 

Boni recebeu o convite para participar da montagem As Bodas de Fígaro, do Theatro São Pedro, ainda em 2013, após o sucesso da ópera Falstalff, na qual também assinou a cenografia. “Acredito que o convite tenha sido pelo sucesso das duas óperas que fiz aqui no São Pedro: Falstalff, com Stefano Vizioli, e A Volta do Parafuso, com Livia Sabag”, afirma. Confira abaixo alguns cenários desenhados pelo artista e uma entrevista sobre os detalhes de seu trabalho.

 

 

Qual foi o ponto de partida para a criação do cenário?

O trabalho se iniciou com o pedido de Livia Sabag para que eu criasse espaços lúdicos, espaços que fossem se transformando aos olhos do público, que criassem certo dinamismo para a montagem.  A ideia inicial foi pensar nesses espaços onde os elementos vão se transformando e se deslocando constantemente, acompanhando o ritmo da ópera.

 

De que modo o cenário influencia o sucesso de uma ópera?

Na montagem de ópera tudo está muito interligado. A influência do cenário é direta. Temos que pensar que o cenógrafo é responsável por desenhar os espaços por onde circulam os cantores e, por isso, condiciona totalmente os movimentos dos personagens.

 

Como foi trabalhar em parceria com a Livia Sabag, diretora cênica?

Nossa parceria começou em 2013 com A Volta do Parafuso. Depois, trabalhamos juntos em Salomé, no Theatro Municipal de São Paulo e, agora, o nosso terceiro trabalho juntos. Com quase um ano de antecedência,  já começamos a conversar sobre essas ideias e passei a desenhar esboços até concordarmos com cada cena e com a articulação de todos os elementos.

 

Houve adaptações temporais ou espaciais na construção do cenário?

Fizemos a ópera no lugar e tempo originais. Então, aparecem referências à Sevilla, ao sul da Espanha no século XVIII. O barroco rococó é absolutamente carregado, mas como a história se passa no sul da Espanha, tem suas peculiaridades. Por isso, o rococó está mesclado com o estilo mourisco espanhol.